| O DESESPERO
Ninguém saberá o que sinto
Talvez nem eu próprio o saiba
Talvez o Desespero saiba o que eu sinto
(em todas as procuras, o Desespero
parece sempre seduzir-me )
Mas, em hipótese, e se nem ele souber
o que eu sinto?
Condenado a vogar eternamente
à escuta das almas?
confundindo-me
E o desbaste de sentimentos
que é preciso fazer
mesmo quando é o Desespero
que está em causa?
Assim, saberei o que sinto?
Não. Não.
Talvez... voltar atrás
voltar ao corrupio adolescente
em que o mundo era só emoções
— mesmo os factos eram emoções —
Voltar lá, voltar a tudo o que perdi:
o singular
o díspar
o meu
o belo
o dócil
o puro
o sapiente
o casual
o verdadeiro
o acetinado
o deleite
Sim, o deleite
o deleite que era ser eu
e as minhas emoções
Teria de voltar lá
e tentar saber porque é que
as emoções se tornaram
em Desespero.
© Teixeira Moita
publicado no Jornal Universitário do Porto Dez./2000
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